Imagine Bruce Lee e Clint Eastwood protagonizando juntos um filme... Agora tente encaixar neste mesmo longa-metragem, um vilão com uma espada japonesa no lugar de uma das mãos... e pra completar, como coadjuvante o rato amarelo com um dos menores vocabulários, e ainda assim o mais carismático da TV: Pikachu. Pronto! Você tem uma mistura de filmes asiáticos e dos famosos bang-bangs, com um pouco de ‘trash’ e uma pitada de animê (desenho japonês) em uma única história. É mais ou menos essa mistura que o filme “Kill Bill” trás, mas é claro que o enredo faz muito mais sentido.
O filme “Kill Bill”, escrito e dirigido pelo genial Quentin Tarantino (Pulp Fiction), é apresentado em dois volumes com 5 capítulos cada e fora da ordem cronológica. A trama é baseada na vingança de Beatrix Kiddo, que após ficar mais de 4 anos em coma, vai atrás das pessoas que tentaram matá-la e que ela acredita terem matado sua filha ainda em seu ventre.
Como já dito, pode-se notar vários estilos no longa, embora muitas pessoas consigam apenas ver sangue. O filme faz tributos a Bruce Lee – a roupa amarela usada por Kiddo no primeiro volume – também faz menção à cultura pop, onde pode-se perceber cenas que lembram comerciais de TV, notam-se trechos que lembram os westerns e principalmente os filmes asiáticos de kung fu dos anos 60 e 70. Algumas partes da história são apresentadas em animações japonesas. Há também cenas que lembram muito histórias em quadrinho.
O filme foi gravado em 4 países diferentes: Estados Unidos, México, China e Japão. Um dos cenários que mais chama a atenção é onde ocorre a luta entre a Mamba Negra (Beatrix Kiddo) e a Boca de Algodão (O-Ren Ishii), interpretada por Lucy Liu. O cenário branco, coberto pela neve, que apesar de ficar um tanto vermelho ao passar do conflito, não poderia ter sido manchado de um jeito melhor. Outro cenário marcante é o lar de Pai Mei.
Mas definitivamente, o que mais nos prende na tela são as lutas, que acontecem de várias maneiras e lugares: sala de estar, trailer, duelo um contra um e até mesmo 1 vs 88. É um verdadeiro coquetel, mais variado que filme pornô. A luta em que a heroína derruba os 88 loucos no hotel é um verdadeiro massacre: sangue pra todo lado, alguns lances muito legais que lembram bastante os filmes asiáticos de antigamente e também anime. Outro fato interessante nesta cena é o contraste entre a brutalidade e a música que toca alguns instantes após o início do combate. Nesta parte do filme há uma diferença entre a versão americana e a japonesa: na americana, a partir do momento em que Beatrix arranca o olho de um de seus adversários até outro momento em que ela pisca os olhos, a cena fica em preto-e-branco, diferente da japonesa, que mantém a cena colorida. Durante todo o longa, há cenas na versão americana que foram cortadas e que aparecem na japonesa.
A trilha sonora também varia muito, desde música oriental a country, com participação do grupo “The 5,.6.7.8’s” e também a música “The Kller’s Song”, assoviada pela vilã Elle Driver (essa música vai ficar na sua cabeça).
Muitas pessoas podem dizer que “Kill bill” é pura violência. Realmente não se pode discordar, mas deve-se lembrar também que é possível fazer muita arte com sangue.



